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A geração entre 55 e 70 anos talvez seja a mais privilegiada da história da humanidade. E não, não é só porque viveu sem celular, sem internet, sem GPS ou sem Pix — embora sobreviver a filas de banco já nos credencie a qualquer prova de resistência emocional.
É porque atravessamos dois mundos.
Um mundo analógico, onde “tempo real” era esperar o café passar e “carregando” era só a sacola de supermercado.
E outro digital, onde tudo acontece ao mesmo tempo — inclusive a nossa confusão.
Nós vimos o mundo sair do zero e ir direto para o infinito. Sem manual de instruções. Sem botão de “desfazer”. Sem aquele sobrinho por perto pra dizer “é só atualizar”.
E ainda assim… aprendemos.
Com algum esforço, algum susto e, convenhamos, alguns cliques errados que jamais serão confessados em público.
Talvez por isso a gente olhe pra certas coisas hoje com um sorrisinho enviesado. Não é desprezo. É experiência mesmo. É quem já viu fita cassete rebobinar com caneta e agora vê inteligência artificial escrevendo poesia.
E aí chegamos ao presente.
Esse lugar curioso onde profissionais respeitáveis — médicos, advogados, engenheiros e até figuras que antes só apareciam em retratos sérios — resolveram… dançar.
Surgiu então a tendência do “Será?”.
“Dizem que sou cirurgião plástico. Será?”
“Dizem que sou especialista. Será?”
E lá está o cidadão, que passou décadas estudando, se especializando, salvando vidas ou defendendo teses, agora dando passinhos coreografados como se estivesse concorrendo a uma vaga no grupo de dança da empresa.
Não se discute aqui a força da propaganda, nem o poder dos algoritmos — essas entidades invisíveis que hoje mandam mais que muito chefe antigo.
A questão é outra.
Em que momento da história alguém concluiu que credibilidade se constrói melhor com rebolado do que com reputação?
Nós, da velha guarda — que sobrevivemos ao orelhão, ao cheque pré-datado e ao VHS que comia fita — não somos contra a evolução.
Muito pelo contrário.
Somos praticamente um estudo de caso da teoria de Charles Darwin. Adaptamo-nos bravamente. Migramos do papel carbono para o touchscreen sem maiores traumas — alguns pequenos, talvez, mas nada que um neto não resolva.
Mas até Darwin, se estivesse por aqui, talvez olhasse certas cenas e coçasse a barba com certa dúvida científica:
“Será que isso aqui é evolução mesmo… ou já é outra coisa?”
Falemos de nós, médicos.
A Medicina sempre teve um certo ritual. Uma liturgia silenciosa. Um compromisso que não combina muito com coreografia sincronizada e trilha sonora chiclete.
Porque no fim das contas, a confiança do paciente não deveria depender da habilidade do médico em acertar o passo no refrão.
Mas talvez eu esteja sendo antiquado.
Talvez o estetoscópio esteja mesmo a um passo de ser substituído por um ring light.
Talvez o juramento venha agora com filtro e legenda.
Ou talvez — e aqui vai um palpite arriscado — ainda exista um limite invisível entre se adaptar ao mundo e virar refém dele.
A nossa geração não só sobreviveu às mudanças.
Ela viveu.
E talvez por isso saiba reconhecer quando está diante de um grande avanço… e quando está apenas assistindo a um pequeno espetáculo de constrangimento coletivo em alta definição.
Mas enfim…
Dizem que isso é evolução.
Será?
Fantástico como sempre!!! Parabéns!
Cícera
Ainda por cima vivemos num país CORRUPTO pense na dificuldade de ser ético e ter moral, pqp, como é difícil
Acho que o mundo está muito feio , louco e muito difícil de ser aceito! A nossa “ antiguidade” nos trazia uma segurança que não temos hoje!!!!A mentira é parte integrante de uma cultura decadente! Muito triste Cadu!!!!!🥲🥲🥲🥲
Sônia Saadi
Meu amigo Cadu !!! Essas modinhas são uma vergonha !!! Esse povo não tem família pra dizer que isso é ridículo .
Menegazzo
👏🏻👏🏻👏🏻👏🏻👏🏻 a minha geração viveu bem.!! 🙏🙏🙏 Hoje será? Feliz Páscoa Cadu ! 🙏🙏
Perfeito, chefe!
Banalização total da sociedade civil!
Vítor Eduardo
Mais uma excelente crônica. Parabéns.
Muito bem descrita a “nossa evolução “.
Mas não tenho como comentar tantas encenações que colocam a todos nós , num mundo cada dia mais “Louco”.
Assim eu penso .
Quero a minha tranquilidade sem esses agentes externos,os quais , não fazem parte da minha vida .
Alexandre Wagner
Muito bom, meu querido amigo!!
Na nossa visão isto nunca será evolução, mas sim: confusão mental!! Vivemos o tempo da saúde mental em 2o plano e as pessoas estão adoecidas!!!!
Múcio
Bailar com Letras é melhor que Dançar com o Corpo!
Como sempre, Dançarino com as letras!!!
Jorge Safe
Muito bom texto, Cadu!!👏
Feliz Páscoa para você e sua família!🙏❤️
Bernadete Blom
Sensacional!!!!👏🏼😊
Gisa
👏👏👏Cadú, mais uma das suas belas crônicas.
Luís Pimentel
Meu querido amigo cronista, como sempre um texto inteligente e provocativo.
Lembrando que Darwin propôs sobrevivência dos mais adaptáveis, não dos mais fortes!
Henrique Radwanski
Cadu
Mais uma bela e real crônica!!!
Feliz domingo de Páscoa a todos!!! 💚🤍❤️
Benjamim
Triste ver toda esta idiotice , constrangedor para todos os médicos
A questão é o mundo atual, imposto pela aparência, pelos likes, seguidores, não pela essência, não pela qualidade., um mundo superficial, dominado pela adequação a tendências de mercado ou sociedade.
Um mundo onde os calores de Cristo que hoje ressuscita são esquecidos.
FELIZ PÁSCOA! – Osiris Martuscelli
Nunca vi nada mais brega!!!
Como pode?
Muitos clientes? Será???
Marlene Leão
Intriga-me quando o ridículo deixa de ser percebido e passa a ser exaltado.
Alexandre Miranda
Muito bom Cadu.
Só apenas uma ressalva amplie a faixa para os também acima de 70 anos.
Fernando Bhering
Será?!
Duvido que seja.
Trata-se de uma INVOLUÇÃO sincronizada.
Raul Canal
Muito bom Cadu.
Realmente, o texto é mais bem vindo do que nunca.
No final, quando cada uma das modas passarem, o que fica são os bons médicos
Michel Pavelecini
Excelente! Alguém precisa dizer. Forte abraço. Feliz Páscoa!
JPVerbicário
Nossa parabéns amei o texto! 👏🏽👏🏽👏🏽👏🏽
As palavras muito bem colocadas.
Tempo bom, uma pena a geração de hoje ñ sabe a grandeza q foi.
Cleonice
Otimo texto professor 👏🏻
Eduardo
Excelente, Cadu! Infelizmente é o que vemos hoje, lamentável, mas uma realidade irreversível. E o jeito é entrar na onda, só que timidamente e com responsabilidade! (Sem pulos e passinhos) 😁
Cido Carvalho
Cadú , você não existe . Parabéns, muita imaginação. Viva o Darwin . Feliz Páscoa. Marcos Leonardo
Muito bom, doutor Leão. A manutenção da nossa dignidade, ou resgate – sei lá- , será , certamente. importante
na manutenção dos nossos alicerces , os originais e os reforçados em nossa escola. Este mundo de terceira dimensão, com fotos manipuladas, pacientes lambuzadas em óleo e dancinhas será perdido na própria inconsistência moral. Mas de tão ridículo, concordo com o senhor. Será?
Boa Páscoa para todos desta família.
João Sobral
Adorei esse texto
Felipe Pedra
A adaptação é uma questão de sobrevivência.
Ou não.
Ótimo assunto. A ser debatido.
Ótima crônica.
Manoel Rocha.
De Vitória – ES.
A melhor cidade para se morar e viver bem no Brasil
Não espalhe.
👏👏👏👏👏👏👏👏👏
🙌🙌🙌🙌🙌
Excelente como sempre, caro amigo e Confrade Cadu. Abraços. Feliz Páscoa.
Hélio Arêas
Tempos difíceis meu amigo
Mais uma excelente crônica
Feliz Páscoa
Lincoln
Fantástico, Cadú!!! Descreveu esse momento insano com maestria e delicadeza, conhecimento e lembranças. Parabéns! Grande abraço! Ian Duarte
Isso é apenas vergonha alheia, doutor! 😱
Atágide Assunção