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Eu escrevi aqui, há alguns meses, que o problema do jogo começa quando ele vira esperança de vida.
E continuo pensando exatamente assim.
As BETS trouxeram um problema social sério: gente se endividando, famílias sofrendo e pessoas apostando dinheiro que não têm na esperança de mudar de vida.
Isso precisa ser enfrentado.
Mas uma coisa é combater o vício.
Outra é simplesmente puxar a tomada.
Em dezembro de 2023, o Brasil, ao invés de bani-las, regulamentou as BETS pela Lei 14.790.
Criou regras, fiscalização e um mercado legal.
E agora, quase três anos depois, uma Medida Provisória praticamente vira a mesa.
De uma hora para outra.
Sem transição.
Sem tempo para contratos serem reorganizados.
Sem que toda uma cadeia econômica consiga respirar.
E aqui aparece uma pergunta incômoda.
A medida foi anunciada apenas nove dias antes do primeiro turno das eleições.
Isso, naturalmente, permite pensar — ainda que apenas como hipótese — em uma medida de caráter eleitoreiro.
Afinal, proteger os endividados, os viciados e suas famílias é uma bandeira socialmente irresistível.
Mas será que uma boa causa justifica qualquer maneira de executá-la?
E aí aparece o futebol.
Em 2026, 14 dos 20 clubes da Série A tinham uma BET como patrocinadora máster, em contratos que movimentam centenas de milhões de reais.
Dinheiro que chega aos jogadores, funcionários, fornecedores, publicidade, material esportivo e a uma enorme cadeia de serviços que, do dia pra noite, ficaram impiedosamente no ora veja.
Não estou dizendo que o futebol precisa das BETS.
Estou dizendo que, quando você retira centenas de milhões de reais de uma cadeia econômica de uma hora para outra, alguém paga essa conta.
E geralmente não é quem assina a canetada.
É o clube.
É o funcionário.
É o fornecedor.
É o pequeno empresário.
E existe uma ironia nisso tudo.
O mesmo Estado que ontem disse:
“Pode, desde que seja regulamentado.”
Hoje diz:
“Não pode mais.”
Talvez o problema não esteja em combater as BETS.
Talvez esteja na maneira de fazer isso.
Porque combater um vício é uma coisa.
Desorganizar um mercado inteiro, de repente, é outra.
E existe ainda uma possibilidade:
esse tiro pode sair pela culatra.
Não estou falando apenas de eleição.
Estou falando de futebol.
A reação dos clubes já começou.
Porque entre a permissividade irresponsável e a proibição abrupta existe uma palavra pouco popular nos tempos atuais:
Equilíbrio.
E esse, infelizmente, não dá para apostar.
Grande Cadu . Como sempre cirúrgico nas suas colocações 👏👏👏. O criador autorizou de acordo com seus interesses … Agora proíbe por conveniência ( ELEITOREIRA ) …
Concordo em gênero, numero e grau que nunca deveriam ter autorizado isso . Mas agora desse jeito ? No mínimo muito estranho …
Menegazzo
Menegazzo
Impressionante. E e tao burro,que não enxerga que,sim,vai perder votos desta cadeia que vc citou. Lamento por estes, mas aumenta a chance de nos livrar- mos deste mal.
Deus e pai.
Abc Cadu
Julio Pinheiro
Certíssimo, caro dr Cadu e isso já aconteceu e será a mínima consequência.
Bom dia mestre Cadu,
Há anos morrem milhares de pessoas em consequência do cigarro em todas as suas formas, ninguém proibiu a sua fabricação.
Há anos o alcoolismo destrói famílias, gera vítimas no trânsito, ninguém fechou a Ambev.
Os supermercados vendem produtos que jamais poderiam ser oferecidos ao consumidor e ninguém se preocupa.
O próprio PMMA foi tanto utilizado e como foi difícil sua proibição.
O álcool líquido causa tanto malefício pelas queimaduras que causa e ninguém faz nada.
Mas a estupidez de quem comanda se mostra notória pois as empresas ( muitas de fora) pagaram fortunas para terem o direito de explorar pir 5 anos este setor. E quem pagará a quebra de contrato? Nós!
Mas deixo claro que sou contra jogos tipo cassino online, o tigrinho.
Mas a medida poderia ter sido tomada com participação da sociedade e de forma gradual dando tempo para as adaptações necessárias de todas as partes.
E agora?
Faltando uma semana para a eleição ele criou briga com a torcida do Flamengo e Corinthians, só ai mais de 30 milhões de brasileiros, sem contar outros tantos pois as bets patrocinavam a maioria dos clubes do futebol brasileiro.
Rezar então para cada torcedor se lembrar domingo que vem!
Osiris Martuscelli
Excelente comentário, Dr. Osiris
Cadu, muito bem colocado, como sempre.
Bhering
Bom dia, Cadu. Bom como sempre. Plenamente de acordo. Parabéns. Abraços.
Hélio Arêas