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Eu nunca imaginei que um dia fosse escrever um texto para comentar… uma pessoa balançando as mãos pra cima e pra baixo.
Mas milhões de pessoas, principalmente das gerações alfa e Z, estão fazendo exatamente isso, Brasil e mundo afora.
E o nome da nova epidemia é…
“Six seven…”
Se você ainda não sabe do que estou falando, fique tranquilo porque até poucos dias atrás eu também não fazia ideia.
Tudo começou com a música rap “Doot Doot (6 7)” do rapper americano Skrilla. A internet fez o resto. O algoritmo adorou e em pouco tempo crianças, adolescentes e adultos, por eles contaminados, passaram a repetir o mesmo gesto: mãos freneticamente pra cima e pra baixo sob o emocionante refrão “six seven…”, e pronto. O vazio virou coreografia até com musiquinhas para celebrar a novidade.
Ou melhor…
Celebrar o absolutamente nada.
Porque, convenhamos…
Qual é a graça?
Qual é a mensagem?
Qual é o sentido?
O sentido é a lógica não ter lógica. Um meme. Uma trend ilógica
É impossível não lembrar de uma época em que a infância era feita de esconde-esconde, pique, queimada, bicicleta, joelho ralado e imaginação.
Hoje, parece que trocamos a criatividade pela repetição.
O mais curioso não é a brincadeira.
Toda geração inventa suas modas.
O que me chama a atenção é a velocidade com que multidões passam a copiar qualquer comportamento sem sequer perguntar por quê.
Basta um celular…
Um algoritmo…
Meia dúzia de influenciadores…
…e nasce um verdadeiro exército de imitadores.
E lá vão eles…
Mãos para cima…
Mãos para baixo…
“Six seven…”
Como se isso representasse algum grande avanço da civilização.
Pode parecer apenas uma bobagem inocente.
E talvez seja.
Mas talvez também seja um retrato de algo maior.
Uma geração cada vez mais treinada para repetir, consumir, compartilhar e obedecer antes mesmo de pensar.
E quando o hábito de imitar fica mais forte do que o hábito de questionar, qualquer narrativa — comercial, cultural, ideológica ou política — encontra terreno fértil.
Não é uma questão de direita ou de esquerda.
De conservadores ou progressistas.
Muito menos de globalismo ou de qualquer outro rótulo.
É uma questão de senso crítico.
Porque pessoas que desaprendem a pensar por conta própria acabam aceitando, quase sem perceber, ideias que jamais aceitariam se ainda conservassem o saudável hábito de perguntar:
“Por quê?”
A moda vai passar, gente.
Como todas passam.
O que eu espero é que a capacidade de pensar por conta própria não passe junto.