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Toda rainha corre um risco.
Não o de envelhecer.
Mas o de esquecer por que recebeu a coroa.
Porque beleza muda.
A moda muda.
O corpo muda.
Mas a coerência… essa deveria envelhecer junto com a biografia.
Foi impossível assistir ao último voo da nave da Xuxa sem pensar nisso.
A internet passou os últimos dias discutindo o figurino da Xuxa. Uns chamaram de ousado. Outros de libertador. Muitos disseram que era vulgar.
Mas talvez estejamos discutindo a pergunta errada.
O problema não é quando uma mulher mostra o corpo.
O problema é quando uma figura pública deixa de ser coerente com a história que ela mesma construiu.
Existe uma diferença enorme entre ousadia e vulgaridade.
Elegância nunca significou esconder o corpo por vergonha. Significa entender que nem tudo precisa ser mostrado. Nem toda liberdade precisa ser exibida. Nem toda provocação acrescenta alguma coisa.
E isso vale aos vinte, aos quarenta ou aos sessenta e três anos.
Xuxa continua linda. Tem um corpo invejável e uma vitalidade admirável.
A idade definitivamente não é o assunto.
A questão é outra.
Há alguns anos ela passou a defender causas, adotar posicionamentos e fazer discursos que parecem caminhar numa direção diferente daquela imagem que construiu durante décadas.
Quem hoje condena a sexualização precoce das crianças precisa compreender que a coerência também comunica.
Porque figurino também fala.
E às vezes fala mais alto que o microfone.
A antiga Rainha dos Baixinhos sempre foi muito mais do que uma apresentadora. Foi referência para gerações inteiras. E quem ocupa esse lugar carrega um peso que não desaparece quando as luzes do palco se apagam.
Talento coloca alguém no trono.
Mas só a confiança mantém a coroa na cabeça.
Talvez seja por isso que eu olhe para Bruna Lombardi e veja um caminho completamente diferente.
Aos setenta e cinco anos, continua linda.
Mas o que impressiona não é a beleza.
É a inteligência.
É a discrição.
É a elegância.
É aquela rara capacidade de ocupar qualquer ambiente sem precisar chocar ninguém para ser notada.
No fim das contas, a diferença entre as duas não está na idade.
Está nas escolhas.
O tempo envelhece o rosto de qualquer rainha. O que derruba uma coroa nunca é a idade, mas a incoerência. O tempo leva a juventude de todas elas. Mas nenhuma ruga é tão profunda quanto aquela que aparece quando uma biografia deixa de combinar com quem a escreve.