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Foi minha filha, Luiza, quem me pediu para escrever sobre como diferentes gerações enxergam uma derrota da Seleção Brasileira em uma Copa do Mundo.
Percebi, então, que não estávamos falando apenas de futebol.
Estávamos falando de memória.
De saudade.
E de esperança.
Achei que seria fácil.
Não foi.
Há vinte e quatro anos o Brasil coleciona eliminações em Copas do Mundo. São seis Copas aprendendo a conviver com a frustração. A verdade é que fomos nos acostumando.
Mas a minha geração conheceu outro futebol.
Nós vimos 1970. Vimos a arte vencer. Vimos uma seleção que encantava antes mesmo de ganhar. Vestir a camisa amarela era um privilégio. Representar o Brasil era uma missão.
Quem viu 1970 não sofre apenas pela derrota de hoje. Sofre pela saudade do Brasil que um dia coube dentro de uma camisa amarela.
Hoje, o que mais dói não é a derrota.
Derrotas fazem parte do esporte.
O que dói é perceber que a Seleção perdeu algo muito maior: perdeu a alma. Perdeu a identidade. Perdeu o DNA que fazia um país inteiro parar diante da televisão acreditando que aqueles onze homens eram um retrato de todos nós.
Não faltam talentos.
Falta pertencimento.
O brasileiro reconhece quem luta. Sempre reconheceu.
Somos um povo acostumado a apanhar da vida, da política, da economia, das injustiças. E, mesmo assim, levantamos cedo no dia seguinte, trabalhamos, criamos nossos filhos e seguimos acreditando que amanhã pode ser melhor.
É por isso que nos emocionam tanto as seleções pequenas que entram em campo sem a menor obrigação, mas deixam ali o corpo, a alma e a dignidade. A derrota nunca humilha quem entrega tudo.
E talvez seja essa a maior lição desta eliminação.
O Brasil não precisa apenas formar grandes jogadores.
Precisa voltar a formar uma grande Seleção.
Uma Seleção que se pareça com o seu povo.
E isso leva tempo.
Mas sou otimista. Sempre fui.
Talvez eu não veja o hexa com os mesmos olhos de quem viu 70.
Mas minha neta Laura, hoje com apenas um ano de idade, quem sabe um dia abrace seus próprios filhos comemorando esse título.
Porque, se existe uma coisa que o brasileiro nunca perdeu, foi a capacidade de cair, chorar… e voltar a acreditar.
Obrigado, Lulu.
Você me fez perceber que algumas derrotas não servem apenas para revelar um time.
Servem para revelar uma geração.
E lembrar que a esperança também se herda.