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O mundo ama rótulos. Ama tanto que, se deixar, cria um novo antes do café esfriar. Agora inventaram o tal do NOLT — New Older Living Trend. Em bom português: uma tentativa elegante de dizer que idoso… não é idoso. É quase um “idoso gourmet”, sem rugas conceituais, sem passado, sem direitos e, se possível, sem privilégios.
No Brasil, essa ideia é especialmente perigosa. Aqui, quando alguém resolve “modernizar” conceitos, normalmente termina em imposto novo, direito a menos e um sorriso cínico explicando que é “para o bem coletivo”.
A narrativa é a seguinte: existe uma nova geração de pessoas acima dos 60 que não se reconhece como idosa. Como se “idoso” fosse um xingamento, uma condenação, um atestado de inutilidade. Ora, quem foi que disse isso? Os próprios rótulos que agora querem reinventar a roda — ou melhor, tirar a roda do lugar.
Vamos combinar uma coisa: ninguém ficou ativo, produtivo, curioso ou vivo porque inventaram o NOLT. Isso já acontece há décadas. Os idosos de hoje são diferentes dos seus pais e avós simplesmente porque o mundo mudou, a medicina evoluiu e a expectativa de vida aumentou. Não foi um insight progressista global que fez o sujeito de 70 anos correr, empreender ou estudar. Foi vontade, saúde e, muitas vezes, necessidade.
Mas aí surge o iluminado:
— “Não são idosos! São NOLTs!”
Pronto. A partir desse momento, o perigo está instaurado.
Porque o passo seguinte é óbvio, especialmente no Brasil:
“Se não são idosos, por que têm privilégios?”
“Se são tão ativos, por que meia entrada?”
“Se estão vivendo tanto, por que aposentadoria?”
E assim, num passe de mágica sem coelho nem cartola, o direito vira privilégio excessivo, o privilégio vira abuso e o abuso vira arrecadação.
Chegar à velhice não é derrota. É condecoração. É atravessar a linha de chegada da vida com medalha no peito e ainda fôlego para dar entrevista. É virar marechal da própria história. Quem chega aos 60, 70, 80 não está “ultrapassado”; está aprovado.
Os benefícios legais — filas, meia entrada, prioridade — não são esmolas. São reconhecimento social de quem venceu o jogo. Tirar isso com base em um novo nome bonito é o velho truque de sempre: muda-se o vocabulário para justificar a perda.
E não sejamos ingênuos. Toda vez que surge uma “nova tendência global”, alguém está fazendo conta. E raramente é a seu favor.
No Brasil, todo dia acorda um bobo e um esperto. Quando se encontram, nasce uma tese acadêmica, um conceito moderno… ou um NOLT.
É melhor ficar atento. Porque, do jeito que vai, daqui a pouco idoso só com 90.
Sem meia.
Sem prioridade.
Sem direito.
Mas com um nome lindo em inglês explicando por quê.
Deixa só o atual governo ganhar ou…. As próximas eleições e um grande número de brasileiros terá privilégios perdidos. Esperemos pra ver, com noite ou sem nolt
Excelente aviso! Advertência mesmo. Nós, idosos, corremos o risco de perdermos a idade que conquistamos ano após ano.
Excelente
Uma dúvida: “será que os NOLTs tem prioridade fila embarque?”
Lincoln Neto
Cadu ,
O idoso é um sábio com experiência de vida pessoal e intransferível. E vc está se tornando um idoso genial . Os aplausos de sempre.
Sebastião Nélson
Eu sou idoso e podem me chamar de velho, também. Sem problema.
Cláudio Cadeco
Pra lá de bom. O Leão sempre se superando.
Amigo, Leão, você, um “idoso gourmet”, brigando pra não pegar fila ou pra pagar meia?😃
Márcio Crisóstomo
Gostei, Cadu!! 👏👏
Abraço.
Bernadete Blom
Excelente suas colocações Cadu . Exatamente isso 👏👏👏
Menegazzo
Muito bem colocadas as suas observações. Acho ridículo “criar-se” uma sigla – o pior: mais uma em inglês, como se nosso belo e rico idioma, não tivesse material suficiente para isso – para criar uma nova categoria de idosos. Sorte nossa, pois não gastaremos nosso brasilês com tolices importadas. Bastam as nossas….
Repito, “ad nauseam”: velho é tudo e todos que estão desgastados, rotos, incapazes de produzir. Não importa seu tempo de existência. Já o IDOSO, forma aplológica de IDADOSO, indica apenas quem tem muitos anos de existência. Como “bondoso” é quem tem muita bondade. Etc etc.
Aos 88 anos de idade não sou velho, muito menos faço parte dessa tolice “noltica”. Sou um IDOSO, com muito orgulho, e bastante ativo. Concordo com você que isso deve ser mais uma manobra “luloalexandrina”, para aumentar a arrecadação oficial. Valha-nos Deus!
Abraços, Evaldo. 18-1-26
E isso ,Cadu.E principalmente vom a Medicina evoluida,ganhamos mais tempo para exercer aqiilo que temos de melhor: a experiencia.Essa ninguem nos tira.Rotulo e para os outros.
Ab
Julio Pinheiro
Bom dia meu professor. Que sintonia de pensamento. Coloquei sexta fwira na pauta de minha videomaker para produzirmos um vídeo a propósito do assunto com enfoque semelhante a esse. Subtração de direitos frente a uma conceitualizacao oportunista.
Parabens pela linha de compreensão da realidade.
Raul Canal
Você já está antevendo com certeza do q pode acontecer. I’m only old.
Parabéns. Abc.
Adissi
Acabei de ser NOLTficado por você!!
João Batista
Caro Cadu,
A velhice não precisa ser higienizada, disfarçada ou vendida como tendência. Ela precisa ser reconhecida. Reconhecida como etapa, como conquista, como direito adquirido. Quem passou dos 60 não precisa provar vitalidade para merecer respeito, nem correr maratona para manter benefícios. Direitos não são concedidos pela performance física, mas pelo percurso vivido. Para mim faltam poucos anos para essa conquista!
O que me assusta no tal “NOLT” não é a ideia de envelhecer com autonomia — isso sempre existiu —, mas a facilidade com que o discurso escorrega para a retirada de garantias. No Brasil, já vimos esse filme: começa com uma “modernização conceitual”, passa por uma “adequação necessária” e termina com menos direitos e mais cobrança. Sempre em nome de um futuro abstrato que nunca chega para quem paga a conta.
Osiris Martuscelli
Belíssima a sua abordagem da necessidade que o mundo tem de criar termos “inovadores”,na tentativa de modificarem ,principalmente, as belezas dos nossos reais valores.
Abraços e um ótimo final de semana.
👏👏👏👏
Alex Wagner
Excelente Cadu. Disse tudo. E o alerta veio em boa hora, privilégios merecidos e conquistados podem estar com os dias contados!
Cido Carvalho
Maravilhosa cronica.
Parabéns Cadu.
Grande abraço.
Melhor criarmos nosso próprio rótulo
Flávia Albuquerque
Parabéns ,Cadu !
Je ne suis pas vieux, je suis Vintage !!!!!!
Moisés Wolfenson
Perfeita Cadu!!!
Precisão cirúrgica!!!! 💚🤍❤️
Benjamin Gomes
Maravilha Leão
Lúcido e contundente como sempre !
Já estou passando para meus grupos de “NOLT”
Forte abraço
Waldir Simões
Boa Cadu.
É isso mesmo.
Perfeita a sua observação.
Um grande abraço.
Um absurdo se cobrarem imposto de um idoso que trabalhou uma vida, nesta idade é hora de pagar medicamentos caros, manutenção de um corpo depois de certa idade tem custo alto, pode parar com narrativas absurdas!!!!!!
Pior que isso, só melhor idade 🙄
Parabéns, doutor!
Atágide Assunção
Ansiosa pra ver essa crônica no TikTok!
Luiza
Top meu amigo!
Dr. Leão, por um momento fiquei muito feliz enquanto lia sua crônica sensacional. Mas logo caí na real: sou uma velha!!! E não é fácil conviver com a memória péssima, o raciocínio lento, a flacidez, as rugas e ter que levar tantos remédios nas viagens. Logo eu, que sempre adorei colecionar biquínis, hoje fico triste por só poder usar maiô e fico mais triste ainda quando olho no espelho. Dá pra chorar, kkkkk. Morrendo de rir de tudo isso porque , para mim, um dia sem uma gargalhada é um dia perdido!!!
Cadu,
Não dá a ideia. Se um “bom”político ler seu texto , certamente vai procurar um jurista para ver brechas em nossas magníficas e bem fundadas leis para colocar sua ideia em beneficio próprio. Leia-se, maior arrecadação para o governo e sobra em seus bolsos. Lógico que com apoio do STF , que indicará os escritórios de advocacia para defender essas ideias com valorosos contratos.
Tudo só uma questão de tempo. E, como bem dito por vc, jamais em benefício do povo ou dos NOLTs.
Este é o Brasil em que vivemos, infelizmente.
Abs, Alex Meira.
Bom dia Cadu!!!!😂
Vc está coberto de razão, quando fala da tal da sigla Nolt! 😳😳Parece piada e até uma certa falta de respeito com os idosos, né?Posso falar de cadeira, porque sou idosa tbm, Nolt ( pra ficar mais sofisticada )porém com todas as dores e desconforto que a idade traz. Como vc analisa, “neste mato tem muito coelho engraçadinho “ querendo já tirar vantagem de nós, idosos! O foco é :
Vantagem para os mais sabidos do planeta!
Queremos ser idosos, sem siglas, e tendo direito ao básico que é usar o plano de saúde que pagamos uma vida inteira e agora criam caso , quando os mesmos indicam procedimentos mais caros! Sejamos idosos, sem essa de “MELHOR IDADE “
E AGORA PRA ARREMATAR, NOLT!!!!
🎼🎼E que tudo mais , vá pro inferno🎼🎼🎼como canta ROBERTO CARLOS!!!!!😍😍😍
Parabéns pela sua perspicácia 👏👏👏👏👏👏👏👏👏👏
SÔNIA SAADI
Bom dia!
Vivendo e aprendendo, sempre!
Não conhecia o termo Nolt, grato por compartilhar e por agregar conhecimento de forma tão leve, com sua já tradicional pitada de humor.
Alexandre Miranda
Espetacular, Leão!!
Como sempre!
Abs e bom domingo !
Elcio Espíndola
NOLTAVEL Explicação!
Vive lá vide ancienne!
Jorge Safe
Elegante!
Provocativo!
Denis Calazans
Bom dia , Caro Cadu!
Esta Nociva Oportunidade de Liquidar os Tardios ( ¡o sea nosotros, o nos mismos, como lo quieras!) é mais uma bizarrice dos que, nas palavras de Renato Russo “Quase sempre se convence que não tem o bastante
*Fala demais por não ter nada a dizer*” ( grifo meu!) !
Sigamos juntos , meu caro e velho Amigo Irmão Cadu , um daqueles irmãos com que a vida me presenteou !
Parabéns !
Lincoln Lopes Ferreira
Mais essa…. ” Alexa! Manda o asteroide!!!!”
Estou ficando com medo e às vezes, sem esperança de que as coisas na Terra, no nosso país, ainda possam melhorar. Tudo cada dia mais confuso, mais difícil, mais sem sensatez. Grande abraço! Ian Duarte