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Quando eu era menino, a gente queria aprender.
Hoje, parece que muita gente quer apenas parecer.
Parecer forte.
Parecer misterioso.
Parecer estiloso.
Parecer diferente.
Ou, como dizem
“Farmar aura”.
Confesso que precisei perguntar às minhas filhas o que significava essa expressão.
Elas me explicaram.
Eu continuo achando difícil explicar.
“Salvei um gatinho da rua hoje, farmei muita aura.”
“Ele comprou um casaco longo novo só para farmar aura na faculdade.”
“Ele respondeu o coach com total segurança e farmou aura com a academia inteira.”
“Postei aquela foto bem misteriosa nos stories só para farmar uma aura.”
Porque, sinceramente, parece que estamos vivendo uma época em que até o vazio ganhou um nome bonito.
Abri a internet e encontrei concorridos campeonatos de “farmar aura”.
Adolescentes “farmando aura” fazendo caretas.
Outros “farmando aura” tremendo o corpo inteiro.
Olhos revirados para “farmar uma aura” de mistério
“Farmam aura” com gestos completamente desconexos que lembram rituais satânicos.
Coreografias sem qualquer sentido.
Milhões de visualizações.
Milhões.
Como médico, confesso que algumas cenas me lembraram pacientes em crise convulsiva.
Fico imaginando minha mãe se expressões como “farmar aura” e “six-seven”, outra trend daora, existissem naquele tempo:
— Venha agora “farmar aura” ajudando sua mãe a fazer o almoço e limpar a casa.
— Você vai “farmar aura” trabalhando das six da manhã às seven da noite.
— Você escolhe: “farmar aura” roçando o quintal ou limpando o banheiro ou procurando emprego.
Brincadeiras à parte, as gírias passam. A ausência de limites — e, muitas vezes, de um simples “não” — essa costuma ficar.
Como pai e avô, essa trend me fez pensar em outra coisa.
Quando foi que começamos a trocar personalidade por performance?
Quando foi que ser autêntico deixou de bastar?
Toda geração tem seus códigos.
Talvez essa seja apenas mais uma moda.
Mas talvez estejamos diante de algo mais profundo.
Nunca foi tão fácil transformar comportamento em espetáculo.
Nunca foi tão fácil medir o próprio valor pela reação de desconhecidos.
Nunca tivemos tantas pessoas inteligentes dedicando tanto tempo a comportamentos tão pouco inteligentes
Não porque as pessoas sejam menos inteligentes.
Mas porque desaprenderam a perguntar:
“Por quê?”
Pessoas que deixam de perguntar “por quê?’ acabam permitindo que outros pensem por elas.
E é aí que mora o perigo.
Muitos desses “outros” só pensam em doutrinação, seja comercial, cultural, ideológica e, principalmente, política, porque encontram um terreno muito receptivo a seu favor.
Meu avô Antenor tinha uma expressão curiosa para definir quem desperdiçava o próprio potencial.
Chamava de “barrigada perdida”.
Sempre esperei que ele estivesse errado.
Porque seria uma pena ver uma geração inteira desperdiçar tanto talento… tentando apenas “farmar aura”.
👏👏👏👏✨
Armando Chiari
👏👏👏👏✨
👏🏻👏🏻👏🏻👏🏻👏🏻😂
Doutor, pessoas inteligentes, críticas e elegantes como o senhor estão cada vez mais raras. Espero que ainda tenhamos alguns bons exemplares. Suas colocações são sempre muito pertinentes!
Flávia Hernandes
Belo texto Cadu !!! Te confesso que nunca tinha ouvido esse termo FARMAR AURA … Essas gerações não sei não …
Menegazzo
Mais um absurdo dessa geração perdida! Uma pena ver o uso da inteligência e do conhecimento desperdiçados com esses modismos ridículos! Excelente texto, Cadu!
Cido Carvalho
Amigo Cadu!
Mais do q esta nova trend, o tema é pertinente e mais amplo.
A desestruturação social está popular. No Brasil e no mundo.
O raso e artificial estão em destaque.
Rogério Gomes
Bom dia ! Sensacional ! Parabéns !
Uma curiosidade , meu Avô Paterno também se chamava Antenor !!
Abraços Fraternos
Lincoln
Oi Cadu! Bom domingo
Está uma zorra total estas expressões , e o próprio mundo! Será que existe o verbo FARMAR? Sinceramente sou totalmente ignorante às novas expressões criadas num mundo que não sabe tabuada e nem conjugação de verbos, pois têm máquinas que resolvem todos problemas com a ajuda de robôs! Estou muito ignorante , quanto a modernidade desconstrutiva , haja vista os apelidos que dão às roupas na velocidade do som!
Blusa- top
Macaquinho= body = Collant
Calças compridas, cheias de apelidos, como sapatos, bolsas e uma infinidade de acessórios! Não tenho mais tempo para aprender, pois agora a estrada está curta!😌
Sônia Saadi
Também tinha morrido de rir disso outro dia!
Ocorre que: um idiota quando inventa um lance desses, sabe que milhões de microcéfalos, imbecis, desocupados… Sim, isso tudo junto, irão “ embarcar nessa moda“. Simples assim meu caro…
Hora de tomar um trago… Para tornar a vida mais tragável….
Dan
Aprendi uma expressão que é: “falta de serviço”. Essa geração precisa “farmar mais trabalho” para o desenvolvimento do país, deixar um mundo melhor pras próximas gerações.
Chega de mi mi mi! Usar a inteligência para o progresso, evolução para seus filhos terem o que comer e beber e ar puro para respirar!
Daniele
Bom dia.☀️🌞😃
O VAZIO GANHANDO NOMES ,CADA VEZ MAIS, INUSITADOS.
A IDIOTICE EM ASCENSÃO !!!
Alex Wagner
Muito triste esta realidade!!!! “barrigadas perdidas”!!!
Múcio
Excelente reflexão!
Aprendi uma expressão que é: “falta de serviço”. Essa geração precisa “farmar mais trabalho” para o desenvolvimento do país, deixar um mundo melhor pras próximas gerações.
Chega de mi mi mi! Usar a inteligência para o progresso, evolução para seus filhos terem o que comer e beber e ar puro para respirar!
Como já dizem por ai: ” Deus, acaba ligou com issso”!!!! Triste tempo terrestre….Grande abraço!!! Ian Duarte
Há uma geração preocupada em “farmar aura”, enquanto deixa de cultivar conhecimento, cultura e caráter.
Troca livros por tendências, pensamento por algoritmos e legado por alguns segundos de atenção.
O problema não é a gíria.
É quando o vazio passa a ocupar o lugar da grandeza. Mas não sei se aos meus 54 anos sou obsoleto, nasci em outro tempo e não me sincronizei com o mundo atual.
Parabéns mestre ! Bom domingo a todos.
Osiris Martuscelli
Inúmeras ” barrigadas perdidas” triste realidade!!
… e você, brilhante como sempre! Adorei!!!
Gisa