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Outro dia, por escrever sobre comportamento por aqui, li um comentário muito interessante:
“Deixe as pessoas serem felizes, velho chato!”
Anotei mentalmente porque é sempre bom aprender.
Porque felicidade hoje virou uma coisa muito democrática. Muito expansiva. Muito… audível.
A pessoa feliz, hoje, é aquela que fala alto. Mas não é pouco não. É Muito alto. Ri alto. Gargalha alto.
Ou seja, a “evolução” é inegável.
Você entra num restaurante e já percebe várias pessoas profundamente “felizes”. Elas falam todas ao mesmo tempo, em volumes diferentes, tipo uma orquestra desafinada da autoestima. É aqui que encontramos o Homo inconveniens em seu ambiente de plena felicidade.
E existe o viva-voz.
O viva-voz talvez seja a maior invenção da modernidade depois da roda. Porque agora ninguém mais precisa sofrer sozinho numa ligação.
Todos participam.
“Amiga, você acredita no que ele fez?”
Acreditamos. A mesa inteira acredita.
No cinema também é lindo ver a felicidade coletiva. Tem sempre alguém “feliz” que comenta o filme durante o filme, porque guardar uma opinião por duas horas seria um autoritarismo emocional sem precedentes.
E as crianças? Igualmente felizes, claro!
Correm entre mesas, desviam de garçons, ignoram leis da física enquanto os pais, de hoje, observam com a serenidade de quem terceirizou qualquer responsabilidade para o universo.
Na vizinhança, a felicidade é literalmente mais completa.
Um churrasquinho inocente e, de repente, um karaokê. Sim, karaokê!
E naquela interpretação sofrida de sucessos que já eram sofridos na versão original.
A noite avança. O volume também.
E a alegria e felicidade vão se tornando cada vez mais… convincentes.
Há também a felicidade motorizada.
Ela passa acelerando motos e carros esportivos, de preferência de madrugada, porque nada expressa melhor a realização pessoal desses “poetas do escapamento” do que acordar desconhecidos.
Eu confesso, gente: tenho dificuldade.
Eu gosto de uma felicidade mais silenciosa.
Daquelas que não precisam de plateia, nem de amplificação.
Sabe aquela felicidade que não invade? Só existe? É essa!
Talvez seja só uma velha ideia fora de moda: a de que o outro não é cenário.
Mas estou me adaptando.
Outro dia quase coloquei um karaokê aqui em casa porque achei que seria muito injusto privar a vizinhança do meu Cauby Peixoto…
Maravilhado com este texto, Amigo Cadu, Você deu um enfoque romantico ao que MAIS NOS INCOMODA, som , barulho e conversa alta !
O silencio traz consigo uma mensagem escondida e traduzida como agucamento dos outros sentido e condenado a geração que o despreza e descarta . Parabéns pela bela escrita !
Boa noite Cadu! Parabéns por vc fazer estas crônicas muito inteligentes e educadas, porque é uma espécie de “puxão de orelhas” nesta turma de pessoas mal educadas, que cada vez mais infestam todos os lugares! 🙏👏👏👏👏👏👏👏👏👏👏👏👏OBRIGADA PELO FAVOR QUE VC ESTÁ PRESTANDO À SOCIEDADE!!!!!!
Sônia Saadi
Parabéns CADU pela bela crônica.!!!
Lula
Boa !!!!
Grande Cadu !!! Seu Blog é demais …
Karaokê com Cauby a Peixoto kkkk
Abs
Menegazzo
Pior ainda quando esta orquestra desafinada ressoa na sala de espera do consultorio.E no corredor do PS?falar alto virou status de empoderamento, de atividade, de exibicao,dob a alcunha de “liberdade de expressao” quando pra mim não passa de falta de educacao, de desrespeito e despreparo para a convivencia. Nocao zero!
Abc Cadu
Julio Pinheiro
Excelente, como Sempre,Grande CADU!!!
Jorge Safe
Meu prezado amigo , parabéns, você está ficando cada vez mais preciso nas suas descrições, “orquestra desafinada da auto estima “ é uma expressão inédita de precisão cirúrgica cada vez mais comum . Também crianças “soltas “ nos restaurantes , dá vontade de pôr na gaiola . E assim por diante , tudo é nivelado por baixo , sem nenhum discernimento da conveniência ou não do momento. Parabéns, já ri bastante abraço Arnaldo Miró
Muito bom 👏Triste realidade ! Cada detalhe a mais audível
Bom dia, Cadu!! Adorei! Tem um toque de humor maravilhoso. Ab.
Bernadete
Ótimas reflexões sobre nosso dia a dia!
Eu sou mais do silêncio, abomino barulho, música clássica me é transcendental!
Henrique Radwanski
Bom dia, meu amigo.
Reflexão de teor incontestável.
Os limites estão cada dia mais “aleatórios”.
Difícil a nossa sobrevivência .
🙌🙌🙌
Alex Wagner
Excelente!
“Guardar uma opinião por duas horas seria um autoritarismo emocional sem precedentes” kkkkkkkkkkkkkkkk
Vc é sensacional, te amo meu filho!
Ainda bem que você me salvou aumentando o som da voz do Caubi porque há pouco subi o volumo de meu celular para que os vizinhos ouvissem Morena Tropicana com Alceu Valença
Mais uma análise perfeita, Cadu. E muito oportuna, retrata bem esse comportamento bizarro dos inconvenientes, e ainda cheios de razão, como o comentário ao qual você se referiu no início. País invadido pela falta de educação e coerência!
Cido Carvalho
É Carlos, já não estamos cabendo nesse mundo.
Haja paciência.
Felet
Concordo plenamente! Minha admiração! Ótimo domingo
Excelente!!! “Poetas do escapamento”: nada tão verdadeiro!!!Abç
🎯
Atágide Assunção
Esqueceu de dizer que a bebida vem acompanhando essa “felicidade” . E que ele torna as pessoas surdas: quanto mais se bebe, mais surdos ficam e mais alto falam. Também sou do grupo da felicidade silenciosas. Adorei a maneira gentil com que tratou o tema. Aliás, como vc é um gentleman, não esperaria outra coisa. Parabéns e felicidades silenciosas. Grande abraço! Ian Duarte
Bom dia !!! Muito bom …
Vou te mandar uma do Waldick Soriano.
😂😂😂😂